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Na razão, a afetividade

As investigações científicas e o desenvolvimento de teorias sobre emoções têm início no século XIX. A primeira teoria foi desenvolvida pelo psicólogo americano William James (1905) e pelo dinamarquês Carl Lange - Teoria James-Lange (Le Doux, 2001). Os dois trabalhando separadamente chegaram a mesma conclusão: as experiências emocionais estão ligadas aos processos fisiológicos. Outros pesquisadores afirmaram que as emoções seriam guiadas pelo conteúdo de nossos pensamentos. Já o neurocientista Le Doux (2001) comprovou que as emoções podem surgir independentemente do que pensamos.

Piaget não escreveu grandes obras sobre o afeto, mas em seus escritos, principalmente no texto Les relations entre l’affectivité et l’intelligence dans le développement de l’enfant (PIAGET, 1954), observa-se a importância da afetividade diante do desenvolvimento cognitivo. Piaget menciona que não existe aprendizagem sem afetividade e vice-versa. As duas são dependentes e formam a base da cognição (Piaget, 2005). Ambas evoluem ao longo do desenvolvimento do sujeito, e interagem entre si em todas as etapas.

De acordo com Espíndola (1993, p. 1), “à medida que os aspectos cogitivos se desenvolvem, há um desenvolvimento paralelo da afetividade”. Dessa forma, os mecanismos de construção são os mesmos e “as crianças assimilam as experiências aos esquemas afetivos do mesmo modo que assimilam as experiências às estruturas cognitivas. O resultado é o conhecimento.”. (Espíndola, 1993, p. 1).

Piaget (1962), menciona que sem afetividade o sujeito não teria interesse para desvendar o funcionamento dos objetos. Isto é, sem o interesse ou a motivação para compreender algo, implica na não existência de perguntas; que, por conseguinte, implica na não externalização de problemas, dificultando o desenvolvimento da inteligência.

De acordo com Piaget, a afetividade é considerada a mola propulsora das ações, pois é ela que atribui valores às atividades dos sujeitos e regula a energia que será depositada em cada ação. A afetividade é a união das energias internas e externas que envolvem as pessoas. Todo comportamento é envolvido por uma questão afetiva e cognitiva. Portanto não existe, de acordo com Piaget, nenhuma conduta intelectual que não esteja permeada pela afetividade, e não há estados afetivos sem a ocorrência da compreensão e da constituição de novas estruturas. Nota-se, assim, que o processo de ensino e aprendizagem também é permeado por uma estrutura (aspecto cognitivo) e por uma valorização (aspecto afetivo).

Assim, a afetividade está intimamente ligada ao processo de ensino e aprendizagem. Nesta relação, o docente tem papel fundamental, pois é com ele que o aluno criará vínculos afetivos e a partir do qual o desenvolvimento cognitivo será ampliado. Fernández, (1991, p. 47) menciona que “para aprender, necessitam-se dois personagens (ensinante e aprendente) e um vínculo que se estabelece entre ambos. (...) Não aprendemos de qualquer um, aprendemos daquele a quem outorgamos confiança e direito de ensinar”. Todo o processo de aprendizagem é permeado pela afetividade, seja esse processo com os professores, com os colegas de aula ou com os livros.