A INFILTRAÇÃO NA ESQUERDA BRASILEIRA E A DESTRUIÇÃO DA REALIDADE FACTUAL.
Última edição em: 2019-01-06 05:46:06
O INCENTIVO AO VOLUNTARISMO COMO LINHA AUXILIAR DA DIREITA.

PARTE UM

Nas minhas andanças, pesquisando aqui e acolá uma forma de suscitar como a esquerda brasileira poderia reagir à montanha de derrotas que se acumula desde 1922, eu fui parar num grupo público inserto no aplicativo cibernético Telegram.

O grupo, até o momento em que lá permaneci, contava com cerca de 315 participantes.

Apreciando todo o conteúdo, eu percebi que os mais ativos são jovens e que nada se dizia sobre alguma solução minimamente crível, com vistas a ao menos se discutir e/ou debater a referida histórica montanha de derrotas impostas à esquerda brasileira desde o ano de 1922.  Ano em que os ventos do fim da Guerra Civil Russa ( 1918 / 1921 ) começaram a ventilar os interesses políticos dos brasileiros.

Como já seria o esperado, eu constatei que a cultura dominante na esquerda brasileira se reproduzia naquele espaço.  Refiro-me à cultura do diversionismo político, como uma forma de se incentivar o voluntarismo travestido de "extremo esquerdismo".  Moção que tem como  fito precípuo desviar o foco político de quaisquer pessoas em relação à urgente necessidade de se debater / propor algum tipo de solução minimamente crível a tantas derrotas.

Não se está aqui a falar de derrotas sem importância.

Em 33 anos, o modelo de "luta" com base na simbologia e na terminologia ainda vigentes na esquerda brasileira fizeram com que nós perdêssemos muito. Mas, muito mesmo !

O esquerdismo saltou na frente em 1985, prometendo ser a "medida correta", para representar toda a ala social do país.

A despeito de muitos protestos, vencidos pelo sentimento revanchista em relação aos militares, o que ficou avençado em 1985 é que toda a ala social se apresentaria politicamente com um linguajar e com uma simbologia revolucionária de fato.

E tem sido assim até hoje.  A esquerda brasileira, em 2019, ainda se atém ao Século XIX nas teses e às revoluções de fato, ocorridas no Século XX. Notadamente a cultura que rege a esquerda brasileira trafega entre o chamado marxismo cultural, a revolução russa (1917) e a revolução chinesa (1949).

Não se optou por um Campo Social mais estendido, capaz de trazer à maioria dos cidadãos os símbolos nacionais e um entendimento maior com o Estado. Entendimento esse, vogando no sentido de se obterem maiorias congressuais de cunho social de amplo espectro. Seria uma busca de maiorias sociais que possibilitassem um ultra necessário pacto social capaz de fazer o revisionismo do plexo legal da nação !

O arcabouço autoritário do Estado encontra respaldo na lei.  Isso, desde o primeiro momento da redemocratização, poderia e deveria ter sido abordado de maneira a mais disseminada possível.  Todavia, naquela ocasião, esse debate ficou contido no âmbito acadêmico da área de Ciências Humanas.

Repito : 

o resultado prático da opção por linguajar exótico, simbolismo exótico e meramente classista, em 1985, traduz-se hoje na perda de infinitas riquezas de toda ordem e numa eleição  presidencial horrenda, que dispensa quaisquer comentários.

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Seria eu até suspeito ao afirmar que, estando naquele grupo, na primeira oportunidade, eu conclamei a se pensar na solução, tendo sido a iniciativa bem acolhida por um dos administradores (@khan ).

E qual teria sido a minha proposta de solução ?

Sair da inércia . Sair da pseudo zona de conforto e produzir encaminhamentos escritos aos partidos políticos, com vistas à formação de maioria social no Congresso Nacional.

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Porém uma das administradoras , Daniele Mereb, deu a mim aquilo que eu não buscava constatar.

O que teria sido ?

A certeza de infiltração altamente categorizada. Uma infiltração que é LINHA AUXILIAR DA DIREITA, atuando no sentido de "dizer e fazer tão  somente o que a cultura que a DIREITA introjetou na esquerda brasileira nesses 33 anos entende ser o correto".

Pessoas que se colocam como muito radicais, em relação ao que eu  chamo de "discurso único do senso comum", incidem sobre propostas minimamente críveis, desconstruindo-as através de mensagens absurdas no âmbito público e através mensagens de detração no âmbito privado.

De forma absolutamente fora da realidade, Daniele Mereb atacou o Congresso Nacional.

Segundo a absurda tese de Daniele a luta dentro do Congresso Nacional reflete um pensamento  muito  institucionalizado que não funciona para a esquerda !

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Daniele avança em aleivosia , quando compara o que seria a importância do trabalho de base com a importância do que se discute no Congresso. E finaliza, asseverando que não há comunicação que preste dentro do Congresso Nacional.

Daniele é pessoa instruída em nível superior.  Redigiu essas aberrações após já ter sido  veiculada ampla discussão, naquele grupo, sobre a importância do revisionismo das leis, independentemente de qualquer outra coisa que se faça

O revisionismo ali proposto é infinitamente mais consequente do que se clamar por revoluções de fato, em face da mais absoluta e inconteste inviabilidade de uma revolução de fato que trouxesse ao Brasil a redenção social.

É mais do que evidente que Daniele afronta a esquerda nacional, posto que a esquerda concorre regularmente a vagas no Congresso e que se vale das prerrogativas congressuais, para ao menos tentar manter uma mínima representatividade política.

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Eu interpus resposta, ainda tentando mostrar a importância de se buscar uma solução ultra necessária que não  impacta qualquer outra, mas que tem que ser objetivada, mais cedo ou mais tarde.

E a interposição avessa à lógica irrompeu novamente.

Cabe notar que o que Daniele coloca na mensagem abaixo, não está escrito no Manifesto do Grupo, lido quando da entrada de qualquer participante.

Ela simplesmente assacou, por intenção de desconstruir qualquer debate que conduza à solução.

Se alguém perguntar à Daniele qual seria a solução ela responderá que a solução é o voluntarismo utópico de convencer as bases através de um diálogo pintado de vermelho sinorrusso , com mensagem revolucionária de fato.

Ou seja, Daniele é mais um FAKE NEWS HÍBRIDO em meio  a tantos outros que há !


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Diante desses impropérios ao Congresso Nacional e à própria esquerda brasileira, só me restou capitular e sair do grupo.

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Depois de ter saído do grupo, um amigo meu de longa data, já muito indignado, encaminhou-me essas mensagens e também constatou que Daniele esperou  que eu  saísse do grupo, para  acintosamente desconstruir o voto de legenda.   Caso eu ainda estivesse no grupo, certamente que haveria a necessária correção quanto à importância lapidar do voto de legenda ( voto ideológico ) como o pilar central da sobreposição da ideologia esquerdista, em relação ao voto norteado pela democracia de notáveis ( voto em pessoas ).

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Jamais houve campanha alguma contra o voto de legenda pelo simples fato de os partidos políticos nunca terem incentivado o voto ideológico.  Fazem isso à revelia da democracia de massas, mantendo o que eu chamo de modelo  personalista, fratricida e corrupto ao voto legislativo !

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Concluindo, eu  trago este texto aos amigos de twitter, mostrando que a infiltração de direita é  altamente elaborada e é também aquela que se apresenta mais radical, na defesa das teses revolucionárias do Século XIX.

Reafirmo aqui, que a interposição de dificuldades direitistas ao voto ideológico (artigos 108 e 109 da Lei 13165/15) é um claro sinal da importância do tema e é um claro sinal de que perdemos um preciosíssimo tempo, por termos dado ouvido demais aos partidos. Perdemos tempo por não termos acompanhado com a necessária acurácia as movimentações partidárias que agem em contraposição à legislação eleitoral.

Segundo o DIAP, os dez por cento de votos nominais, ora exigidos em lei, são automaticamente  (vegetativamente) obtidos para a lista de candidatos.

O que significa que não é nenhum absurdo verificar que a solução deva ser pacífica e que deva ser revisionista de uma enormidade de leis que permitem abusos e golpes no meio todos nós !

Sergio Govea 

sg@pcsa.com.br

61 9 8552 5956 (Telegram). 
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Link de convite para grupo do apçicativo Telegram que discute o Código Eleitoral, como premissa da busca de solução através da democracia. 

Ou seja, através do voto.

https://t.me/joinchat/A2QBWRZgrL4FDasic015Ig

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